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terça-feira, 20 de novembro de 2012

A miséria dos intelectuais

Os intelectuais, via de regra, são muito vaidosos e donos da verdade. Há muitas explicações para esse comportamento. Algumas claramente freudianas. Outras, nem tanto. Prefiro evitar comparações ou tomada de partido. Arrisco, porém, observar um fenômeno curioso que ocorre a um grande número deles: a sedução pelo poder ou, o que pode dar no mesmo, pelos poderosos, mesmo que alguns sejam por eles solenemente ignorados.


Platão foi quase em serviçal de Dionísio de Siracusa. Na condição de preceptor de seu filho, passou por poucas e boas. Maquiavel se esqueceu de seu projeto de um bom governo, para devotar carinho e O Príncipe à casa dos Médici. Grócio também trocou seu ideário republicano pelas cortes do absolutismo francês. Rousseau e seu desafeto Voltaire dependiam de favores da elite parisiense para frequentarem os salões e as festas. Claro que, vez ou outra, sobretudo Voltaire ironizava aqueles que o incluíam nas listas de convidados. Pobre compensação.


Hegel saudou efusivamente Napoleão, quando as tropas francesas invadiram a Prússia. Era sinal de manifestação do espírito absoluto ou de puro oportunismo? Há divergências, embora, por comodidade, prefira a primeira versão. Schmitt e Heidegger bajularam as autoridades nazistas. Não se limitaram a dar apenas apoio às ideias e ao projeto de poder. Sartre teria padecido do mesmo mal em relação a Mao e a Stalin. 

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sábado, 2 de outubro de 2010

O código secreto de Platão

Platão parece que é uma fonte inesgotável de conhecimento. E de curiosidade. Sua vida foi cheia de percalços, por causa das ideias e mesmo do acaso. Conta-se que foi capturado por piratas e vendido como escravo até ser resgatado por seus amigos. Escreveu 30 livros e fundou a primeira universidade do mundo, a Academia. Sua filosofia política, embora marcada por um projeto autoritário, era socialmente avançada.
Diferente de seus contemporâneos, defendeu relativa igualdade para as mulheres, permitindo, inclusive, que elas estudassem na Academia. Foi, ademais, um grande divulgador do amor romântico, daí a origem do termo "amor platônico", criticando os casamentos arranjados por motivos políticos ou financeiros. Também era defensor da homossexualidade. Pois Platão inseria em seus livros códigos e símbolos, herdados dos seguidores de Pitágoras, por meio dos quais procurava refutar as teses religiosas a respeito do homem e da natureza. Fez isso não só para preservar a própria vida, que acabou perdida nas mãos do mainstream grego, mas principalmente para evitar que suas ideias e livros fossem destruídos. Dizia, por exemplo, que era a matemática e não os deuses que explicava o universo. A tese da filosofia oculta de Platão não é nova, mas um trabalho recente publicada no US journal Apeiron, por Jay Kennedy, professor de História das Ciências, na Universidade de Manchester, intitulada The Plato Code, procura demonstrar, por meio de rica pesquisa, que ela existe e é mais constante do que se imaginava. Não é exagerado repetir Kennedy e dizer que "Platão fez com que a humanidade mudasse de uma sociedade bélica para uma sociedade mais impulsionada pela sabedoria". Graças ele, "nossos heróis são hoje Einstein e Shakespeare, e não cavalheiros de brillante armadura".