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terça-feira, 15 de março de 2011

Amor líquido: A fragilidade do afeto

Zygmunt Bauman, em Amor Líquido, destaca a fragilidade que caracteriza as relações afetivas na atualidade. Eis algumas observações interessantes que faz: “A misteriosa fragilidade dos vínculos humanos, o sentimento de insegurança que ela inspira e os desejos conflitantes (estimulados por tal sentimento) de apertar os laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos" (p. 8-9).
"O desejo é a vontade de consumo. (...) Tão logo, consumido, o desejo vira descarte, lixo. (...). O desejo é, desde o início, contagiado pelo desejo da morte [de autodestruição]. Isto é, entretanto, firmemente guardado em segredo; guardado em segredo dele mesmo. O amor é, por outro lado, um querer de cuidar e preservar o objeto querido. (...). Um impulso para expandir, para ir além (...). O amor é a expansão do "eu" para dar-se ao objeto amado. O amor é a própria sobrevivência por meio do eu do outro. (...). Se o desejo quer consumir, o amor quer possuir. O desejo é autodestruição, o amor é autoperpetuação. (p. 9-10)"
“O amor pode ser, e freqüentemente é, tão atemorizante quanto a morte. (...) Assim, a tentação de apaixonar-se é grande e poderosa, mas também o é a atração de escapar.” (p.26). BAUMAN, Zigmund. “Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos

domingo, 27 de junho de 2010

Pensamentos obtusos: Remédio para a aflição

Se estás aflito por alguma coisa externa, não é ela que te perturba, mas o juízo que dela fazes. E está em teu poder dissipar esse juízo. Mas se a dor provém da tua disposição interior, quem te impede de a corrigir? E se sofres particularmente por não estares a fazer algo que te parece certo, por que não ages, em vez de te lamentares? Um obstáculo insuperável te o impede? Não te aflijas, então, pois a causa de não o estares a fazer não depende de ti. Não vale a pena viver se não o puderes fazer? Parte, então, desta vida satisfeito, como partirias se tivesses logrado êxito no que pretendias fazer, mas sem cólera contra o que se te opôs. (Marco Aurélio. A Fortaleza Interior)

sábado, 15 de agosto de 2009

Pensamentos obtusos: A morte segundo Twain

"A vida não foi um presente valioso, mas a morte foi. A vida era um sonho febril, composto de alegrias embebidas em tristezas, de prazer envenenado pela dor. Um sonho que era uma pesadelo - confusão de espasmódicos e evanescentes encantos, êxtases, exultações, felicidades, intercalados por profundas misérias, mágoas, perigos, horrores, decepções, derrotas, humilhações e desesperos -- a mais pesada maldição projetável pela divina ingenuidade. A morte, entretanto, foi doce, a morte foi suave, a morte foi bondosa. A morte curou o espírito machucado e o coração ferido, e deu-os o repouso e o esquecimento. A morte foi o melhor amigo do homem, pois quando ele não pode mais suportar vida, a morte veio e o deu a liberdade: Life was not a valuable gift, but death was. Life was a fever-dream made up of joys embittered by sorrows, pleasure poisoned by pain; a dream that was a nightmare-confusion of spasmodic and fleeting delights, ecstasies, exultations, happinesses, interspersed with long-drawn miseries, griefs, perils, horrors, disappointments, defeats,humiliations, and despairs--the heaviest curse devisable by divine ingenuity; but death was sweet, death was gentle, death was kind; death healed the bruised spirit and the broken heart, and gave them rest and forgetfulness; death was man's best friend; when man could endure life no longer, death came and set him free". Letter X. In. Letters from the Earth. Harper & Row, 1974[1909].