domingo, 16 de agosto de 2009

Reportagens provocantes: Lei permite privação de comida a mulher por falta de sexo no Afeganistão

A condição da mulher em alguns países islãmicos é degradante. Elas ou não possuem direitos políticos ou, quando os detêm, são ameaçadas fisicamente para não exercê-los. Uma lei, em vigor no Afeganistão desde o dia 27 de julho, submete o corpo e a vontade da mulher xiita ao querer sexual do homem. Leia a reportagem da BBC Brasil, reproduzida pela Folha online de hoje:
"Uma nova lei afegã vem provocando polêmica ao permitir aos homens xiitas negar comida às suas mulheres se elas se recusarem a manter relações sexuais com eles. A lei, que também estabelece que as mulheres casadas precisam da permissão dos maridos para trabalhar e dá aos homens e aos avôs a custódia exclusiva dos filhos, foi promulgada e publicada apesar dos protestos da comunidade internacional. O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, já havia sido obrigado anteriormente a vetar uma versão original da lei após a pressão de organizações internacionais. Mas os críticos dizem que a nova versão da lei é igualmente repressiva e acusam Karzai de ter cedido em troca do apoio dos xiitas conservadores nas eleições presidenciais desta semana. A nova lei, aplicada apenas para a minoria xiita, estabelece normas para a vida familiar. A versão original da lei obrigava as mulheres xiitas a manter relações sexuais com seus maridos no mínimo a cada quatro dias e, na prática, aceitava o estupro ao remover a necessidade de consentimento para o sexo dentro do casamento. Líderes ocidentais e grupos de defesa dos direitos das mulheres afegãs se uniram para condenar a aparente reversão de direitos conquistados pelas mulheres do país após a queda do regime radical islâmico do Talebã, derrubado em 2001. Agora a versão atualizada da mesma lei foi aprovada sem estardalhaço e transformada em lei com a aparente aprovação de Karzai. "Houve um processo de revisão e Karzai sofreu pressão de todas as partes do mundo para mudar essa lei, mas muitas das normas repressivas permanecem", disse Rachel Reid, representante em Cabul da organização internacional Human Rights Watch. "O que importa mais para Karzai é o apoio dos fundamentalistas e dos linha-dura aqui no Afeganistão, de cujo apoio ele acha que precisa para as eleições", diz. Grupos de defesa dos direitos das mulheres afirmam que a formulação da nova lei viola o princípio de igualdade que está garantido pela Constituição afegã."

Um comentário:

Veroca disse...

Bom dia,
Ontem, depois da notícia de seu blog, o achei na busca do google e já dei uma boa passeada por aqui.Também o outro, ambos recém nascidos prenunciando um conteúdo delicioso e importante.
Quanto ao post. É rizivel, não fosse triste um cenário destes em pleno século 21. No entanto, o Afeganistão é aqui também. As mazelas, parecem, estão globalizadas hehehe e nunca, nunca, o mundo foi tão fundamentalista.Outro dia lia um livro de Sociologia, escrito na década de 50, onde o autor descrevia, de forma profética, o processo de formação da chamada aldeia global. Apenas previu que isto faria com que as certezas absolutas sobre o próprio modo de cada sociedade viver iria ruir e o reconhecimento do outro como outro, enfim, a igualdade na diferença iria surgir. Vamos trabalhando prá isto, mas que o cenário é bem desolador, isto lá é. Gostei muito do blog do JALS e passo a segui-lo com interesse, desejando ao mesmo vida longa.Gostei muito também de suas aulas. Uma vez, acho que em 2005 talvez, o vi compondo uma mesa de debates em um evento da Procuradoria da cidade do RJ. Escrevendo minha dissertação, fui até lá ouvir Dworkin, meu marco teórico. Agora o vi em sala de aula: muito bom, obrigada. Voltarei sempre. Abraço, Vera