domingo, 10 de junho de 2012
Ranhuras na identidade europeia
domingo, 4 de setembro de 2011
Corrupção faz Brasil perder o equivalente a uma Bolívia
Pelo menos o valor equivalente à economia da Bolívia foi desviado dos cofres do governo federal em sete anos, de 2002 a 2008, informa reportagem de Mariana Carneiro, publicada na Folha deste domingo, 4/9/2011.
Cálculo feito a partir de informações de órgãos públicos de controle mostra que R$ 40 bilhões foram perdidos com a corrupção no período --média de R$ 6 bilhões por ano, dinheiro que deixou de ser aplicado na provisão de serviços públicos.
Com esse volume de recursos seria possível elevar em 23% o número de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família --hoje quase 13 milhões. Ou ainda reduzir à metade o número de casas sem saneamento --no total, cerca de 25 milhões de moradias.
O montante apurado faz com que escândalos políticos de grande repercussão pareçam pequenos.domingo, 20 de fevereiro de 2011
O capitalismo 4.0 de Kaletsky
Em seu livro "Capitalism 4.0. The Birth of a New Economy in the Aftermath of Crisis” [Capitalismo 4.0. O Nascimento de uma Nova Economia depois da Crise], o economista russo, radicado na Inglaterra, Anatole Kaletsky analisa a crise econômica entre 2008 e 2010 no ciclo das crises do capitalismo. O sistema econômico esteve à beira do colapso no final do século XIX, nos anos 1930 e na década de 1970. No momento atual, vive uma transição para uma nova etapa: o “capitalismo 4.0”.
Em cada uma das versões anteriores, o capitalismo sofreu alterações especialmente na articulação entre o poder econômico, cujas decisões se baseiam do voto do lucro ou dinheiro, e no poder político, assentado no voto dos cidadãos.
Se, durante o século XIX, essa interações eram negligenciadas, limitando-se ao custeio privado do aparato militar e à defesa de leis que beneficiassem o mercado, nos anos 1930 tornaram-se visíveis seus efeitos e causas, estigmatizando o mercado. A terceira etapa, desencadeada pela dupla Margareth Thatcher e Ronald Reagan, estigmatizou, por sua vez, o Estado.
O cenário agora é outro. Diferente dos credos liberais e sociais, a quarta geração do capitalismo tem de conviver com a contingência e falibilidade dos mercados e dos governos. E com a necessidade de uma interação mais sistemática e transparente entre eles. A crise atual levou a credibilidade dos dois à lona, assim como suas perspectivas unilaterais.
O novo capitalismo deve contar com mais e menos Estado. Mais Estado em áreas que não se limitam apenas ao controle da inflação ou à política fiscal. É preciso que os governos adotem uma sólida gestão macroeconômica, promovendo o crescimento e o emprego. A mistura revela um keynesianismo sem Keynes.
Menos Estado, porém, no âmbito das políticas sociais. Os sistemas previdenciários como hoje existem e as demandas por serviços cada vez mais sofisticados de saúde e educação requerem uma nova distribuição de papeis. O Estado não pode se ausentar desses campos, mas não deve agir como único fornecedor de serviços. Antes deve estabelecer relações de parceria com o setor privado, induzindo consensos.
No campo da educação, por exemplo, deve dar prioridade ao ensino fundamental e médio, sem negligenciar o acesso aos cursos universitários. As escolas não devem ser públicas, mas estimuladas pelo poder público a adotar políticas de qualidade e de inclusão social. Esse é o desafio da área: ser inventiva e responsável sem gerar exclusão social. Admite, por exemplo, que o governo pague bolsas de estudo para os estudantes carentes.
Na saúde, o problema é ainda maior. Argumenta que a alternativa deve estar entre a mercantilização da saúde, ao estilo norte-americano, e a sua consideração como bem público, como sucede na Inglaterra. Outra vez, as relações entre mercados e governos devem ser rediscutidas sem uso de estereótipos e maniqueísmos.
Os políticos têm de conduzir-se pela ética, inclusive nas eleições, pondo, por exemplo, claramente aos eleitores as alternativas disponíveis e a crise por que passam os gastos públicos. O objetivo é obter consensos ou, quando menos, aceitação de uma dura realidade: aumento de tributos e diminuição de benefícios sociais. A experimentação ousada e persistente deve ser a tônica dessas relações.
O problema está nesse ponto: como ser ousado e responsável ao mesmo tempo. E como possibilitar que a lógica do mercado e a lógica da política consigam conviver de modo respeitoso. Mais que conviver, ajudar-se mutuamente. Mercados e governos não podem ser parasitas uns dos outros, mas parceiros de um mesmo futuro. Fáceis palavras, difícil execução.
Um novo capitalismo? O manifesto de Haque
Reduziu a desigualdade no Brasil?
Um novo capitalismo? Indústria thick value e indústria thin value
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Independência do Banco Central para Quem?
Artigo publicado no Constitutional Law Blog, sob o título Fed Independence, Fed Capture, a respeito da independência do Banco Central americano. As reflexões valem também para cá
"Será que o Federal Reserve faria melhor se largasse a sua independência e se tornasse (novamente) mais responsável perante os agentes estatais eleitos? Timothy Canova discute essa questão na The American Prospect Review. Ele conclui que o período de prestação de contas do Fed durante a década de 1940, sob a Presidência de Marriner Eccles, resultou em muito mais sucesso e coordenação da política monetária, independente do setor financeiro.
Casanova escreve que, durante esse período mais responsável, mas transparente e "socialmente neutro", o Fed trabalho em parceria com o Instituto de Administração de Preços (Office of Price Administration) para controlar os gastos do Congresso e as prioridades de financiamento (e não, como agora, para servir aos interesses do setor financeiro a exemplo da recente compra dos seus ativos tóxicos). Como resultado, as taxas de juros não subiram, embora os gastos federais e empréstimos fossem muito maiores do que hoje (em percentagem do PIB). Por quê? Porque, argumenta Canova, o Fed comprou títulos do governo "em quantidade e preço necessários para manter enquadrada a taxa de juros do Tesouro." Resultado: Uma política monetária do Fed que acomodava a política fiscal do Congresso que efetivamente tirou o país da Grande Depressão.
Canova sugere que a independência do Fed em 1951 abriu espaço para a captação do setor financeiro, uma conclusão apoiada por um relatório no mês passado da Reuters intitulado Cozying up to Big Investors at Club Fed. Segundo a reportagem da Reuters, há uma porta-giratória rápida entre o Fed e do setor financeiro que permite muitas vezes um "fluxo de informações de parte a parte e uma baixa de guarda do agentes do Fed com seus ex-colegas e outros contatos próximos do setor privado."
Canova conclui sua obra com este parágrafo:
"Poucos economistas entendem esse período da história do Federal Reserve, que tem sido retirado da maioria dos textos, incluindo livros didáticos de economia como os de Bernanke. Quando o período de Eccles é discutido, costuma ser é julgado como uma anomalia - que infelizmente o foi. A opinião corrente é a de um banco central capturado por interesses financeiros privados, que está perseguindo uma agenda elitista da desregulamentação e austeridade fiscal com salvamentos e bônus para banqueiros. Mas, como mostra a própria história de nossa nação, num dos melhores momentos dos Estados Unidos, ele não se conduziu dessa maneira."
