Mostrando postagens com marcador Colaboradores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Colaboradores. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Reino da Dinamarca

Neste momento em que toda a humanidade tem os olhos voltados para este pequeno e rico país: a Dinamarca - espécie de sociedade ideal que atingiu todos os índices de prosperidade almejados pelas outras nações-, devemos fazer uma reflexão sobre o seu passado.
Shakespeare imortalizou a Dinamarca em Hamlet, quando disse “há algo de podre no reino da Dinamarca”. Daí pra frente, essas palavras viraram um lugar comum todas as vezes que alguém sentiu o cheiro de corrupção em sua família, empresa, Estado...
Por mais que o Bardo de Stratford, naquele momento, estivesse falando de sua Inglaterra natal, a Dinamarca era mesmo um pobre e corrupto país que merecia verdadeiramente ser chamada de podre.
A Dinamarca situa-se na chamada península Escandinávia, o conceito é vago; mas Suécia, Noruega e num certo sentido, a Finlândia e os seus aparentados, a Islândia formam um “padrão escandinavo” em qualidade de vida, quase sem par no resto do mundo. Ordeiros, pacíficos, generosos, brilhantes, ricos ostentam todas as conquistas – as objetivas, pelo menos- que todos nós almejamos. Mas não foi sempre assim.
Cercados de gelo por todos os lados e com um sol que brilha partes do ano até a meia noite – esse povo, chamado no passado de Vikings, formaram as hordas mais cruéis da cristandade. Hábeis navegadores, entre os séculos IX e X – é possível que Erik, o viking tenha chegado à América séculos antes de Colombo – chegaram às costas da Europa devastando tudo que encontraram.
Durante um curto período, os Vikings governaram a Inglaterra. Aí, no século XI, parte do continente europeu se fortalece e a Escandinávia entra num processo de profunda estagnação, com Noruega, Suécia e Dinamarca se fundindo e se separando até assumirem a forma atual que conhecemos.
Até os anos de 1920, a Dinamarca e seus vizinhos não passavam de um imenso pântano gelado. Os filmes dos anos 80, Pelle, o Conquistador e a Festa de Babete nos dão um panorama do que era a Escandinávia até quatro gerações atrás. Um povo pobre, atrasado e quase sem esperança. Já hoje!
Pergunto: o que é que a Escandinávia tem que o Brasil não tem? Por que é que esta nação “abençoada por Deus” riquíssima em recursos naturais, clima favorável, não acaba com a miséria. Por mais que avanços tenham ocorrido, ainda se morre de fome no Brasil.
O nosso índice de violência é igual ao de países em guerra. O número de favelados do Rio de janeiro e São Paulo superam a população escandinava. O que fazer para mudar isso? Dizem que a resposta é educação e mais educação. Sim, mas não é só isso. Algo mais forte se impõe. Precisamos de um choque de moralidade.
O problema do Brasil, por enquanto, é um só: Impunidade. Somos uma sociedade corrupta. Eu declaro aqui em alto e bom som: enquanto as Cortes Superiores do Brasil não colocarem os grandes e notórios corruptos na cadeia, o Brasil não mudará. Precisamos de exemplos, precisamos de um corrupto condenado e preso. Como os EUA fazem.
Se um corrupto notório for preso, os outros ficarão intimidados. O STF precisa nos dar um corrupto de presente neste natal. Um corrupto embalado e condenado atrás das grades. Seria o primeiro passo para sonharmos com a prosperidade escandinava e para homenagearmos a cúpula do meio ambiente na Dinamarca, que não é mais podre, o Brasil é que é.
Postado por Theófilo Silva, Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador da Rádio do Moreno.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Os Discípulos de São Durval

Em virtude do que está ocorrendo em Brasília no presente momento, gostaria de citar um trecho do meu livro, A Paixão Segundo Shakespeare - lançamento dia 12 deste mês - contido no ensaio, A Justiça. Parece coincidência ou até mesmo premonição o que está escrito lá, mas não é nada disso.
Qualquer um com um pouco de inteligência que circula bem no Distrito Federal sabe o que está se passando na cidade. O número de pessoas falando de suas viagens e ostentando um padrão de vida que vai muito além de seus salários – Brasília é uma cidade de funcionários - é de dar na vista.
... Observo com muita clareza, mentes jovens criminosas 'brilhantes' - na casa dos 30 anos - construindo uma carreira... moldada no assalto aos cofres públicos por meio da proteção de governantes corruptos, que os contratam como testa de ferro. Normalmente eles começam a carreira como secretários de estado, diretores de estatais, presidentes de ONG’s, etc. Esses criminosos 'brilhantes' acabam ultrapassando seus criadores, e passam eles mesmos a serem agentes da ação. Uma boa parte deles entra na política, e conquista um mandato popular, ou seja, a certeza absoluta da impunidade. No máximo em dez anos, ali na entrada dos quarenta anos já ostentam patrimônios milionários e passam a rir da cara da sociedade, com suas BMWs, mansões, ternos Armani etc. A quantidade de processos que cada um tem contra si dá um livro. A punição máxima que auferem depois de flagrados é ter alguns bens bloqueados e a conta salgadíssima do advogado, nada mais. O grosso do dinheiro é enterrado em latas ou enviado para fora do país. Se alguém me pedir uma lista desses sujeitos residentes em Brasília, cidade que conheço bem, posso dar algo em torno de cem nomes. Mas não tenho nenhuma prova. E nem é obrigação minha tê-lo”.
Apresento esse trecho, porque o filme mais visto no Brasil hoje é uma coleção de vídeos de homens públicos de Brasília recebendo pacotes de dinheiro oriundos não se sabe de onde. Aliás, a Polícia Federal sabe. E agora a sociedade também. Também não preciso dar mais apontar nomes, porque vários deles se entregaram sem querer.
Essas pessoas, diz o camareiro da peça Henrique IV: “...estão continuamente preocupados, rezando ao próprio patrono: a riqueza pública, ou melhor dizendo, não estão rezando para ela, pois que a devoram... E o disfarçado, Gadshill completa: “Nós roubamos como em nossa casa, com perfeita segurança... andamos invisíveis”. E não é que rezaram mesmo!
Até isso Shakespeare sabia. A cena em que dois parlamentares aparecem abraçados com “São” Durval, agradecendo a Deus pelo dinheiro ilícito, é uma confirmação dessa sábia sentença do Bardo. Talvez seja a cena mais cínica e anticristã que o Brasil já assistiu.
O correto era “orar” para alguma Entidade satânica, já que a propina é considerada crime em todas as sociedades. E o “andamos invisíveis”? Não deu certo, já que hoje existem câmeras de vídeo, e tão pequenas que mal conseguimos vê-las. Eis o problema, não dá mais para ficar invisível.
E imagens podem ser, nesse tipo de situação, muito mais forte do que palavras. Sobre a resposta da Justiça brasileira para esses crimes já externei minha visão lá em cima, não esperemos condenação de ninguém, pois somos o país da impunidade. Esses homens públicos agem assim por que sabem que não serão punidos.
No entanto, existe um poder chamado sociedade civil, opinião pública, que sabe punir. Se ela sair às ruas e agir, como já está agindo, a justiça será feita. Eu disse num artigo anterior: chegou à hora dos bons!
Postado por Theófilo Silva, presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador da Rádio do Moreno.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A locura dos grandes

Os gregos disseram que “os deuses enlouquecem os homens antes de destruí-los”. Sabemos que a loucura foi vista até o século XIX como uma doença demoníaca. Shakespeare não acreditava que a loucura fosse coisa do demônio, como seus contemporâneos, mas enlouqueceu alguns de seus personagens antes de suas mortes.
O caso mais notório é o de Macbeth e sua esposa. Ambos matam o rei da Escócia, quase como um fato corriqueiro, como se matar fosse um ato como outro qualquer, sem conseqüências subjetivas! Estavam errados.
Macbeth passa a ter visões sobrenaturais, perde a noção da realidade e acaba “mergulhado em sangue”, morrendo em batalha. Lady Macbeth torna-se sonâmbula e termina por suicidar-se. Falo desses loucos poderosos, para compará-los aos loucos atuais: chefes de estado que nos cercam no momento e que podem destruir a paz mundial.
Falo especificamente de três figuras caricatas: o incendiário presidente da República Teocrática do Irã, Ahmadinejad; da figurinha ridícula, o ditador da Coréia do Norte, Kim Jong Il e o aprendiz de Mussolini, defensor perpétuo da Venezuela, Coronel Hugo Chávez.
Dois deles estão enlouquecidos pelo ódio. Ahmadinejad encarna o ódio dos mulçumanos por Israel; Chávez inveja e odeia mortalmente os EUA e Jong Il é o próprio ódio, já que criou a nação mais sombria dos tempos modernos. Shakespeare disse em Hamlet que: “a loucura dos grandes deve ser vigiada”. Deve mesmo!
Graças à Democracia, nenhum desses ditadores dirige os destinos de uma potência. São nações periféricas que almejam uma posição na ordem mundial que só cabe mesmo na cabeça doentia de seus líderes. Jong Il constrói uma bomba atômica, cercado de cozinheiros e prostitutas escandinavas com dois terços de seu povo passando fome.
Ahmadinejad nega o maior crime da história da humanidade, o holocausto judeu, mergulhado na ignorância do Islã, sonhando com uma bomba atômica. Chávez perpetua-se no poder repetindo a lógica de seus heróis dos anos trinta e quarenta, Hitler, Mussolini e Perón, criando milícias e exércitos paralelos, queimando seu vasto petróleo enquanto a Venezuela caminha pra trás.
Essas perigosas figuras ridículas e psicóticas lembram três loucos do passado recente: Gamal Abdel Nasser do Egito, Muammar Kadhafi da Líbia e Sadan Hussein do Iraque. Todos três levaram seu caótico mundo interior para o mundo real. Fizeram muita confusão criando dor e sofrimento para seus povos, mas não conseguiram destruir a ordem mundial.
Os dois primeiros já pagaram o preço, estão sepultados. Kadafi foi obrigado a se recolher a sua insignificância, depois de ser humilhado mundialmente.
Essas figuras são uma prova de que a política é, muitas vezes, uma exteriorização de traumas pessoais. Egocêntricos, esses sujeitos estão sempre se defendendo de alguma coisa, criando inimigos imaginários.
São como os sociopatas, que têm um discurso bastante concatenado, mas dissociado de qualquer sentimento, pois são sexualmente desintegrados e com uma visão distorcida dos homens e do mundo. Claro que existem pequenos loucos; prefeitos, governadores, parlamentares – leiam Foucault - que vivem como farsantes e que nunca são descobertos.
Cabe a todas as vítimas desses monstros, mostrá-los e denunciá-los onde quer que eles estejam. O destino dessas figuras é muito ruim. Chávez, Ahmadinejad e Kim Jong Il não terão um fim diferente dos seus ídolos. Hitler suicidou-se; Mussolini morreu pendurado num gancho como um porco: Saddan Hussein foi enforcado; Milosevic foi envenenado. O bem sempre vence.

Venceremos esses também. Basta que os bons se manifestem!

Postgado por Theófilo Silva, Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador da Rádio do Moreno.

domingo, 15 de novembro de 2009

O Senador Zumbi

Aqueles que viram o caso do Senador Expedito Júnior, de Rondônia como uma querela entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal estão enganados.
A indignação de grande parte da Imprensa pelo fato da mesa do Senado não ter acatado a decisão do TSE e, por último, a sentença do STF, que cassava o mandato do senador, é um equívoco.
Expedito permaneceu quase um ano como um zumbi dentro do Congresso Nacional, mas gozando de todas as prerrogativas e benesses a que tem direito um Senador da República. Por que um zumbi? Porque se tornou um morto vivo no Senado.
Saibam que esse tipo de Parlamentar, o zumbi, é o sujeito mais solicitado, mais procurado e mais prestigiado pelos seus colegas. Não deveria ser o contrário? Não. Explico. Vou me servir de Hamlet para apoiar minha observação acima.
O trecho a seguir é dito pelo príncipe dinamarquês a dois sujeitos que se dizem seus amigos, mas que foram enviados pelo rei para espioná-lo. Diz Hamlet: “mas semelhantes servidores prestam ao rei o melhor serviço, no fim. Ele os conserva, como os macacos fazem com as nozes, num canto das bochechas; ali são primeiro introduzidos, para serem engolidos mais tarde e quando necessita o que colheu, só tem que espremê-lo...”
Vamos substituir a palavra rei por senado, aí nosso raciocínio fica mais fácil. É isso que Expedito Júnior tornou-se, uma noz ou uma ameixa no canto das bochechas de seus colegas. Expedito foi espremido pelos senadores, pois se tornou refém de seus crimes eleitorais. Restou um bagaço, que na hora certa foi cuspido!
Cassado pelo TSE, daí pra frente só restou a Expedito uma coisa: apelar aos seus pares para prorrogar ao máximo sua saída. E ele encontrou todo o apoio que precisou, todos foram solidários com ele. Por quê? Por uma única razão; ele não pode mais dizer não a ninguém. Tudo que lhe foi pedido, ele fez.
Assinou todos os projetos de lei que lhe pediram; votou Sim em qualquer parecer que seus pares solicitaram; em resumo, fez tudo que os senadores disseram. Sua liberdade acabou, seu poder de decisão não mais existe. Sua vontade agora tem dono e é somente daqueles que podem expulsá-lo ou prolongarem sua estada como Senador da República.
Foi isso que aconteceu. Expedito ficou quase um ano dentro do senado dizendo amém aos seus colegas, falando fino e dando bom dia até ao mais humilde servidor da Casa. Que importa que o TSE ou STF reclamem depois de cutucados pela Imprensa!? Ter um senador servil por mais de um ano é algo que não aparece todo dia.
Se bem que há umas duas dúzias deles bastante enrolados. Na política, o sujeito desgraçado é o companheiro mais desejado. Como seria possível pedir algo a um parlamentar poderoso, inatacável! Para a maioria, esse tipo não interessa, pois esse sujeito terá, com certeza, um controle sobre os menos aptos.
Os políticos inaptos, mentecaptos ou desgraçados ameaçados por seus abusos e com processos nas costas são os mais solicitados, pois esses nunca dirão não a um colega. Eles sempre dizem amém. A lógica da política é essa. Seria um pouco diferente num país onde as leis são respeitadas, onde o Judiciário funciona.
Mas, no Brasil, país em que os políticos estão “se lixando” para as leis que eles mesmos fizeram, a prática que predomina é essa aí. O que ocorreu entre Senado e STF foi mera encenação. A peça mesmo se desenrolou atrás das cortinas.
Postado por Theófilo Slva, Presidente da sociedade Shakespeare de Brasília e Colaborador da Rádio do Moreno.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Os Aposentados e a Perna de Pau

Marina, uma jovem honrada, vendida para um bordel como prostituta, chama Boult, o encarregado do prostíbulo, de “porteiro amaldiçoado” e “limpador de latrinas”.
Indignado com Marina, Boult dá uma dura resposta: “queres que vá para a guerra? Onde um homem é obrigado a servir sete anos, exposto a perder uma perna, para depois não ter dinheiro bastante, no fim de tudo, para comprar uma perna de pau”?
A cena se passa em Péricles, Príncipe de Tyro, uma das Peças Finais de Shakespeare. A perna de pau de que fala Boult me inspirou a escrever sobre o drama dos aposentados do Brasil, esses cidadãos esquecidos e espoliados.
Falo daquelas pessoas que trabalharam trinta e cinco anos e, no crepúsculo da vida têm direito a um salário mágico, misterioso, porque, curiosamente, vai diminuindo ano a ano. Acontece algo parecido com o que diz Boult: “no fim de tudo”, o salário não dá para comprar uma perna de pau.
Vamos substituir perna de pau por muleta, remédios ou medicamentos. Isso, o salário do aposentado não compra sequer aquelas caixinhas de remédio com nome em inglês contendo uma tarja de advertência.
Hoje todo “velhinho” ou “velhinha” – só uso essa palavra para dá ênfase ao texto – é obrigado a comprar um bocado delas todos os meses. E para o resto da vida. Bom, alguém poderia dizer: é natural, eles estão se cuidando para prolongar a vida, prevenindo-se de doenças futuras! Correto, porém, não é tão simples assim.
O Estado também está doente, pois sofre da memória não se lembra daqueles que, com muito trabalho, suor, e sofrimento ajudaram, bem ou mal, a construir o país que temos. O abandono dos mais velhos é um problema antigo da cultura ocidental. Os idosos são tratados com desprezo.
O tratamento é desrespeitoso e egoísta; somos iguais aos muçulmanos no seu trato com as mulheres. E não estou exagerando. A atenção aos mais velhos no Japão e na China e mesmo entre os islâmicos é semelhante ao que se dá às crianças no ocidente: atenção e carinho, sempre.
Entre nós, o problema está nas próprias famílias; dos filhos que abandonam seus pais em lares para idosos e somem para constituir outra família. Essa lógica perversa tem que mudar, mesmo que leve várias gerações.
Infelizmente, os Governos ajudam a manter essa situação, diminuindo periodicamente os proventos desses que não podem se defender como deveriam. O nome de Boult é simbólico, significa algo como, “impotente”, Shakespeare não pôs esse nome por acaso.
O aposentado no Brasil é um impotente, é um Boult. As milhares de entidades que dizem lutar pelos interesses da classe – têm até um partido político com a palavra aposentado – pouco conseguem fazer.
Dia a dia, vemos nossos pais e nossos avós serem humilhados em filas de bancos e hospitais. Vaga de estacionamento pra quem tem mais de 60 anos é charlatanismo político. O que os mais velhos precisam é que o Estado lhes pague um salário digno.
Pelo menos, aquele salário que o aposentado tinha no seu último mês de trabalho e que foi comido ano após ano pela política nefasta dos governos que desprezam aqueles que construíram o passado. Uma nação que despreza o passado não tem futuro.
Postado por Theófilo Silva, Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador da Rádio do Moreno.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O Sumiço de Belchior

Quando Tímon desapareceu de Atenas deixando poucos vestígios, abandonando a vida respeitável e confortável que levava, poucos souberam o motivo.
Tímon fora à falência, consumindo todo o seu patrimônio em banquetes e presentes para os amigos. Não encontrando nenhum apoio, se afasta de tudo e de todos e vai morar numa cabana bem longe da cidade.
Logo, as notícias sobre suas desgraças ganham o mundo. Não pude deixar de lembrar de Tímon, protagonista da peça Tímon de Atenas, de Shakespeare, depois que acompanhei, pela Imprensa, as notícias do sumiço do cantor e compositor cearense, Belchior.
Belchior consagrou-se, nos anos 70, como um dos grandes compositores brasileiros. Juntamente com outros cearenses, que ficaram conhecidos como “pessoal do ceará”, sendo os mais notáveis, Ednardo e Fagner – curiosamente nenhum deles utiliza sobrenome – inscreveram o talento nordestino na Música Popular Brasileira, a “elitizada” MPB.
Num período em que Chico Buarque de Holanda era chamado de unanimidade nacional, com suas veneradas músicas de protesto, e Caetano Veloso e Gilberto Gil estavam consagrados após a Tropicália, aparece um cearense dizendo que é: “apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo interior”.
Naquele momento surge um compositor falando de sua terra com uma pitada de literatura clássica, com álbuns denominados A Divina Comédia Humana e, mais tarde, com O Elogio da Loucura, conquistando o Brasil. Belchior, naquele final dos anos setenta, chegou a ser festejado, e com razão, como o maior compositor do país.
Ele e Fagner foram os primeiros compositores nordestinos a “estourarem” nacionalmente com músicas de MPB. Gil e Caetano são baianos, e a Bahia quando se trata de música ultrapassa o conceito de região. Permanecer no topo e criar a vida toda é algo impossível pra qualquer artista.
O único da geração de Belchior, a turma que passou dos sessenta anos, que continua criando e em grande atividade é Caetano Veloso. A criação é quase como um parto. Poucos sabem, mas Belchior já havia “sumido” trinta anos antes, logo depois de se tornar um “superstar”, e reaparecendo irreconhecível com uma longa barba e um repertório completamente mudado.
Mas Belchior, diferente de quase todos os “sumidos”, segundo me disse ele em 2002, nunca deixou de ler - como fazia desde os quinzes anos - um livro por semana. Sua vida é impregnada de literatura. Hoje, Belchior está traduzindo e ilustrando A Divina Comédia, de Dante.
As especulações tolas e fúteis de grande parte da Imprensa, de que Belchior estava montando um golpe publicitário, porque estaria esquecido, para depois surgir dando entrevistas em programas de auditório, denota burrice. Belchior está noutro patamar.
Tímon estava brigado com o mundo, Belchior não, ele quer viver sua alucinação, longe de gente comum, dos frutos da aldeia global de que ele se recusa a participar. Ele segue o conselho de Apemanto a Tímon: “A melhor situação, sem contentamento, é mais desgraçada e miserável do que a mais baixa situação com contentamento”.
Os gregos, que sabiam de tudo, já tinham afirmado: “uma vida que não é reexaminada não merece ser vivida”. Belchior está louco de razão, ele está reexaminando a sua. Os broncos não sabem o que é isso. Deixemo-lo em paz.
Artigo dedicado a Luiz Moreira
Theófilo Silva, Presidente Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador da Rádio do Moreno.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

São Horas de Ser Honesto

“Que horas são senhor?” E o transeunte responde: “São horas de ser honesto”. Esse pequeno diálogo ocorre entre dois personagens Shakespearianos durante um encontro casual em plena rua. Na realidade, um está dando bom dia para o outro. A questão é que Shakespeare nunca descreve os acontecimentos de maneira direta, simplista. Ele prefere falar por metáforas.
Esse “bom dia” inusitado soa como uma bofetada em nossas consciências e nos convida a uma reflexão sobre a ética e a moral. Também essa é a pergunta que a grande maioria do povo brasileiro se faz todos os dias: onde estão os homens honestos do Brasil?
Depois do escândalo do Senado, em que foram comprovadas fraudes terríveis com provas irrefutáveis e ninguém foi punido - pelo contrário, os acusados receberam solidariedade - a amoralidade foi oficialmente instalada no Brasil. Uma espécie de licença de improbidade foi chancelada. Os claramente culpados, hoje, acusam a Imprensa de tentar desestabilizar as instituições democráticas e os envolvidos no esquema que não detinham mandato popular já estão buscando um.
Todos os dias uma fraude aparece. As denúncias que nos chegam pela Imprensa, frutos do trabalho do Ministério Público, crescem em grande profusão e são todas muito bem fundamentadas, eivadas de provas. As ONGS internacionais de Direitos Humanos têm se debruçado sobre o problema e no ranking das nações mais corruptas do mundo o Brasil ocupa “honrosa” colocação, ficando vergonhosamente ao lado dos pobres países da África. Por quê?
Não existe honra nos trópicos? A lisura é um privilégio dos países frios? Da Escandinávia, Inglaterra, Austrália, Canadá? O que acontece com o Brasil? É por que somos um país de mestiços colonizados por Portugueses, um dos primos pobres da Europa, como dizem por aí? Não, claro que não. A herança católico-portuguesa é, de fato, pesada, porém, na verdade, todas essas teses sobre clima, etnia, raça, trópicos caíram por terra, não valem mais.
As teses caem, mas a corrupção não acaba, diz o povo; não arrefece, não para de crescer e é como uma peste, se alastra, destruindo o tecido do Estado. E como não há punição para os culpados, ocorre uma inversão de valores. Os homens de bem passam a ser vistos como tolos e covardes e os corruptos como bem sucedidos e corajosos.
E como todo vício, a corrupção nunca é moderada, tudo é estratosférico, exagerado. Os valores surrupiados são na casa dos milhões. No entanto, ninguém é preso ou condenado. Pelo contrário, os defensores da sociedade são criticados por suas ações, sendo chamados de apressados, partidários, irresponsáveis, inconsequentes e outros adjetivos. E o pior, essas críticas partem do próprio presidente do Supremo Tribunal Federal. Como pode ser isso?
O grande problema do Brasil está localizado em suas cortes superiores que lavaram as mãos diante da iniqüidade. Ninguém está aí pra nada. A justiça está subordinada a política. Se não há punição, por que não delinqüir? A nós, cabe se lastimar e sofrer a dor. Aos corruptos, sorrir e gastar dinheiro. Mas, como disse Samuel Johnson, chamado carinhosamente pelos ingleses de Dr. Johnson: “a mente só repousa na solidez da verdade”. Enquanto houver inquietude há esperança! Os homens de bem logo aparecerão!
Postador por Theófilo Silva, Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e Colaborador da Rádio do Moreno

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Who is it in the Press?

Quem diz essa frase é Júlio César, na peça homônima de Shakespeare. Não gosto de usar citações em outro idioma nos meus textos, mas, neste caso, é preciso em virtude do significado da palavra “press”, hoje, diferente.
Andando com Marco Antônio entre a multidão, a caminho do Senado, Júlio César ouve alguém gritar por ele e responde: “who is it in the press that calls on me”, “quem me chama no meio da multidão”. Sabe-se que “press”, em inglês significa imprensa, e que a Imprensa ainda não existia no período em que Shakespeare viveu.
“Press” naquela época entendia-se como povo, gente, multidão. A relação entre a Imprensa, o Governo e a Sociedade é um dos fenômenos mais complexos do mundo contemporâneo. Fernando Henrique Cardoso disse uma vez, quando era Presidente da República, que ele precisava ler os Jornais todos os dias, para saber o que “ele estava pensando”.
Não mentiu quando disse isso. O poder da Imprensa é gigantesco, e distorções e manipulações podem alterar por completo todo um estado de coisas. A mentira sempre pode fazer grandes estragos.
É comum, no Brasil, rotular, carimbar os “formadores de opinião”, jornalistas e escritores, que opinam sobre assuntos do dia a dia da nação e do mundo obrigando-os a “ter um lado” - seja sobre políticas públicas ou questões de natureza moral ou ética - como se não houvesse parâmetros para análises isentas.
Os governos criam todos os dias, leis que geram mais confusão do que resultados, que atropelam essa ou aquela dimensão institucional, trazendo graves conseqüências para o futuro. No entanto, existe uma patrulha atuando para que especialistas silenciem diante dos descalabros diários do Estado.
Achar que todas as pessoas que escrevem na Imprensa são vendidas, que o fazem por dinheiro ou por favores, que seus textos são de encomenda, ou ainda, que são opiniões ideológicas, partidárias e que não têm compromisso com a verdade é um grande erro.
Existem opiniões isentas, sim. O grupo que age com isenção é pequeno, infinitamente menor do que aqueles estão comprometidos com seu próprio bolso, mas ele existe. Os homens públicos e o governo precisam ser vigiados, pois são manipuladores.
O Estado é um monstro, é Thomas Hobbes quem nos alerta, em O Leviatã, “no entanto, ele, o monstro (o Estado) quer carinho”. O escritor sério busca a verdade, orienta a sociedade, pois esse é o papel da Literatura.
Embora sejam antípodas, a Literatura orienta a Política e a complementa, pois trabalha pra consertar seus erros. Já fez e tenta fazer todos os dias o seu papel de antena da sociedade. É Hamlet na sua conversa com os atores quem afirma: “o papel da arte foi, e é oferecer um espelho a natureza”.
Shakespeare escreveu numa época onde ainda não havia ideologias e isso é muito bom, já que impede que ele venha a ser rotulado como se faz comumente com todos. Esquerdista, neoliberal, machista, sexista, racista, imperialista, e vários outros carimbos de igual tamanho.
Leio Shakespeare porque ele não está contaminado por essas coisas. A grande Literatura só existe porque é honesta. Os grandes autores eram homens virtuosos e as exceções são poucas. Quando não o eram, procuravam sê-lo.
O grande problema do Brasil ainda é que os bons – e são poucos - estão calados diante da iniqüidade que há muito tempo perdura no país. Repentinamente alguém grita: qual é seu papel na multidão?
Postado por Theófilo Silva, Presidente da Sociedade Shakesperae de Brasília e Colaborador da Rádio do Moreno.

domingo, 4 de outubro de 2009

Ciro e Coriolano

Não sei se Ciro Gomes já leu Coriolano, uma das peças políticas de Shakespeare. Se não o fez, está na hora de fazê-lo! Ciro Gomes tem muito da natureza de Caio Márcio Coriolano, general romano de família nobre, favorito da mamãe, orgulhoso, soberbo, valente e virtuoso. E mais, carrega o coração na boca. Fala o que pensa. E é essa língua que acaba por destruí-lo.
Ciro Gomes vem de uma família de classe média, seu pai foi prefeito de Sobral, uma tórrida cidade no sertão do Ceará, famosa pelo orgulho de seus moradores. A cidade tem um lado folclórico: a fama de ser “americana”, dado a admiração que seus filhos têm pelos EUA e por alguns “hábitos”: o Derby, Beisebol, School Bus.
É difícil um cearense que não aponte os sobralenses como um povo soberbo e, com, com seu senso de humor afiado, chamam Sobral de “United States of Sobral” e 51º estado americano. Dizem que esse “americanismo” seria proveniente de três fatores. Foi em Sobral que Albert Einstein provou a Teoria da Relatividade.
Segundo: até a década de 30 Sobral era a principal cidade do Ceará. E terceiro: que a cidade foi fundada por americanos. Por isso os sobralenses dizem que têm um passado burguês, “aristocrático”.
O fato é que Sobral berço de Renato Aragão, pena com as brincadeiras e gozações de seus conterrâneos, que cunharam centenas de piadas sobre seus cearenses “americanos”. Até onde a soberba de Ciro, que tem lhe custado caríssimo, é fruto disso não sabemos.
O certo é que sua incontinência verbal e seu ar de superioridade estancaram sua vitoriosa carreira política. Ciro, dizem no Ceará, nasceu com “uma estrela na testa”, tão meteórica foi sua ascensão na política.
Com 37 anos, já fora Deputado Estadual, Prefeito de Fortaleza, Governador do Ceará e Ministro da Fazenda. Desdenhou uma vaga certa no Senado e passou um ano na Universidade de Harvard como aluno visitante. Hoje, é detentor de uma oligarquia.
Ciro, chegando tão cedo aonde chegou, estagnou e não conseguiu um “vôo nacional” sólido como queria. Candidato à Presidência da República por duas vezes, teve uma votação apenas simbólica. Foi obrigado a recomeçar, sendo candidato a deputado federal pelo Ceará, obtendo uma votação espetacular.
Ciro pode corrigir seu temperamento? Poderá, como diz Shakespeare em Júlio César, “forjar seu metal”? Refrear sua língua? Ele tem reconhecido seus erros. Arrepende-se das besteiras que disse. Coriolano foi obrigado a “calçar as sandálias da humildade” – um teste obrigatório para tornar-se Cônsul de Roma.
Vestido com roupas humildes, ele teve que sair nas ruas pedindo o voto do povo. Conseguiu após muito esforço, já que, para ele, era um constrangimento misturar-se aos pobres. Instado por seus nobres pares, teve que fazê-lo. Ganhou o cargo de Cônsul, para perdê-lo horas depois, ao responder a provocação de dois tribunos intrigantes.
Ciro precisa provar para a sociedade brasileira que é hoje um homem maduro, que superou seus conflitos juvenis e que seu orgulho de sobralense – de suposta burguesia inexistente, decadente – foi apagado. Que não é marcado por questões com a mãe, como Coriolano – a arrogância da maioria dos homens é fruto do favoritismo materno.
Para que não aja como Coriolano, que disse: “agora que me destes vossos votos, nada mais quero convosco”. Se provar, aí sim, estará pronto para mostrar que o Brasil é bem maior que o Ceará e que poderá fazer pelo país o que todos nós esperamos.
Postador por Theófilo Silva, Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e Colaborador da Rádio do Moreno

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Um Mistério no Coração de Brasília

Sherlock Holmes foi protagonista de sessenta contos policiais intricados e misteriosos. A maior parte deles ocorreu em Londres no final do século XIX. Sherlock funcionava como uma máquina de desvendar crimes e solucionou todos os casos em que se meteu.
Trago o detetive inglês de volta, muitas dezenas de anos depois de sua aposentadoria, para discutir um crime que chocou Brasília, a capital federal! Em um dos apartamentos da 113 Sul, umas das mais bem organizadas quadras do Plano Piloto, foram encontrados três corpos: o do rico advogado, ex-ministro do TSE, Guilherme Vilela, o da sua esposa e o da empregada da casa, esfaqueados, apresentando dezenas de perfurações.
Nem os porteiros, nem os vizinhos, viram ou ouviram qualquer coisa no dia do crime. Nenhuma digital, mancha ou algum indício forte foi encontrado no local do crime. Quase um mês depois, os assassinatos continuam sem qualquer solução! Assalto? Vingança? Foi obra de profissionais? Ninguém sabe. O crime é, até o presente, perfeito!
As hipóteses vão se sucedendo e, até agora, nenhuma delas é satisfatória. Familiares, funcionários do escritório do advogado, porteiros, amigos e clientes já foram arrolados como suspeitos, mas nada adveio daí.
A polícia de Brasília conta com os equipamentos de perícia criminal mais sofisticados do mundo, mesmo assim quase nada foi descoberto. A cada dia que passa, um suspeito é inocentado. O mistério permanece.
Sherlock Holmes dizia que: “o crime mais vulgar é frequentemente o mais misterioso, porque não apresenta característica nova ou especial de onde as deduções possam ser tiradas.” Ele conhecia toda a literatura criminal do século. O Crime da 113 Sul não parece ser banal. Tem características diferentes de outros assassinatos envolvendo famílias ou casais.
Matar três pessoas em um simpático apartamento cercado de muitos vizinhos, no coração da capital do país e ninguém ver nada é algo incomum. Sherlock não acreditava de maneira nenhuma no sobrenatural, nem nós e menos ainda a polícia! No entanto, existem três cadáveres pendentes de uma explicação!
Assassinos dispostos a matar por dinheiro não faltam, nem mandantes, como o perverso Ricardo III, da peça de Shakespeare, que pergunta friamente ao cruel James Tyrrel: “Terias coragem de matar um amigo meu?” Ao que Tyrrel, prontamente responde: “Sim, meu Lorde, mas preferiria matar dois inimigos”. Mais solícito impossível!
O caso da 113 Sul tem tudo para se transformar numa novela policial semelhante às de Sherlock Holmes ou repetir o Crime da Rua Cuba, que ocorreu em São Paulo, em 1988, não solucionado até hoje. Na ocasião, o também advogado Jorge Buchabki e sua mulher foram mortos a tiros dentro de casa. O principal suspeito era o próprio filho do casal, porém nada ficou provado, e o crime já prescreveu!
Diariamente os jornais de Brasília e do restante do país levantam uma hipótese para o crime, para, no momento seguinte, desfazê-la. O caso está entregue a uma Delegada que afirma categoricamente que o crime será solucionado.
O delegado da época de Sherlock Holmes era o inspetor Lestrade, da Scotland Yard. Em certa passagem de um dos contos, ele é cercado pela Imprensa que lhe pede que nomine o suspeito por um crime brutal.
Lestrade precipitadamente o faz, sendo criticado por Sherlock Holmes, que filosofa: “é um erro capital teorizar, antes de ter em mãos todas as evidências”. Apesar do conselho do grande detetive, é impossível o povo não especular. Brasília toda discute o caso!
Postado por Theófilo Silva, Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador da Rádio do Moreno.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Berlusconi e a Itália

Shakespeare amava a Itália, mas nem por isso deixou de mostrar, com sua perspicácia, as idiossincrasias dos “romanos”!
Do conflito das famílias Montechio e Capuleto, em Romeu e Julieta; da vileza de Iago, em O Mercador de Veneza; do intrigante Iachimo em Cimbelino; de Alonso, o covarde Rei de Nápoles, em A Tempestade, Shakespeare apontou os muitos vícios da sociedade italiana.
Aqueles que estão chocados com o comportamento de Sílvio Berlusconi, Primeiro-Ministro da Itália, não conhecem a história nem o povo desse belíssimo país! Diferente do resto mundo, a principal instituição da Itália é a família, e em seguida a empresa familiar.
O Estado vem depois. O empreendedor bem sucedido na Itália é o modelo favorito de todos e uma espécie de príncipe do passado. Suas sociedades secretas têm como base a Igreja Católica e a família. A mais famosa dessas sociedades “A Cosa Nostra”, a Máfia, tem fortes conexões no Estado e até hoje ninguém conseguiu desmontar essa organização criminosa, mítica e romantizada.
A Itália é ainda um país dividido entre o norte rico e um sul que ainda tem muito que fazer para se igualar ao resto da nação. O processo de unificação de suas cidades – outrora poderosas unidades – como Milão, Veneza, Florença e a própria Roma, realizada no século XIX, não se completou no coração de todos.
Muitas das cidades do sul vivem como se o poder público não existisse. Na Sicília e na Calábria as pessoas se recusam a pagar impostos, luz, água etc. Desde a Roma antiga as famílias já se orgulhavam de seus antepassados.
O maior orgulho de Júlio César era sua origem familiar. Com a queda do Império Romano no século V, todo esse orgulho é destruído, e Roma conhece a barbárie. Só a partir do século XIII é que a Itália prospera e suas cidades se tornaram as mais importantes de toda a Europa.
É nesse período que temos notícias das poderosas famílias controladoras dessas pequenas nações: os Sforza, Médici, Este, Gonzaga, Bórgias e os Viscontis. Os Viscontis, nos séculos XIV e XV eram a família mais rica da Europa, rivalizando com a riqueza dos reis da França. Era uma família famosa por seu poder, luxo, crueldade e perversão sexual. Suas orgias sexuais ultrapassavam o imaginável.
Matavam-se uns aos outros e a traição entre eles era algo banal. Dois de seus representantes, Barnabo e Gian Galezazo Visconti passaram pra história: o sobrinho matou o tio e ficou com o trono. Berlusconi é um Visconti vivendo na época da Internet. Nem as leis nem a Imprensa domarão Berlusconi.
Do alto dos seus muitos bilhões de euros e da condição de Chefe de Estado, ele não conhece poder acima dele. Ele é um príncipe do Renascimento com conexões familiares. O partido político pelo qual se elegeu foi criado e é patrocinado por ele.
É Primeiro-Ministro pela terceira vez. Quando sair do Governo, do alto de seu poder econômico, continuará fazendo o que quiser. Na Alemanha ou na Inglaterra isso seria impossível, na Itália não.
Os italianos são diferentes nesse particular. De 1945 até hoje a Itália teve 61 gabinetes. Na década de 80, a Itália ficou três meses sem nenhum governo. Berlusconi já fez o que quis, com 74 anos é um cidadão acima de tudo e de todos.
Os italianos admiram disso. O mundo não gosta de seu comportamento, mas é assim que a Itália é. Dante Alighieri levou todos iguais a ele para o Inferno. E nós, para onde mandaremos Berlusconi?
Postado por Theófilo Silva, Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador da Rádio do Moreno.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O Direito Divino no STF

Já falei aqui de Ângelo, de Medida por Medida, personagem de Shakespeare que ao ocupar o cargo de juiz supremo se corrompe apaixonado por uma bela mulher.
Suponhamos que um juiz do STF se corrompa. O que se deve fazer? Seus pares o expulsarão? A sociedade o enxotará? Ou a Corte deve permanecer infectada, com membro gangrenado – pois que é um corpo? A pergunta não é descabida, já que dois juízes do STJ foram expulsos por seus pares acusados de pesadíssima corrupção. Seria bom que alguém respondesse essa pergunta. Ou ela não tem resposta?
A Corte é realmente uma figura só, como o Leviatã de Hobbes, que é feito de muitos homenzinhos. Só que a nossa corte suprema é feita de apenas 11 criaturinhas. Ou seja, existe apenas o STF - o corpo -, não existe mais o indivíduo. É assim no mundo todo, sabemos. Agora, é possível que um ou dois membros destoem bastante do resto do corpo, e não cumpram a função para a qual foram criados! E aí, o que faremos?
Shakespeare provou que o homem é um ser falível, imperfeito; a religião, a ciência, e o Direito mostram que é essa a condição humana. Assim é plenamente possível que um ou outro membro dessa Corte possa se afastar dos caminhos da honra.
Faço essas observações, porque vejo no momento a nação revoltada com o juiz Gilmar, que tem se comportado como se fosse um Juiz Ungido pelo Senhor, o Justiceiro Supremo. Pois, avocou para si a teoria do Direito Divino dos Reis, de Jean Bodin e do bispo Bossuet. A nova teoria criada por seu presidente se chama Teoria do Direito Divino dos Juízes do STF.
Lá o instituto do Impeachment não é sequer um espectro, funciona pro Executivo, mas não pro Supremo Tribunal Federal. Precisamos de uma nova teoria. De uma nova visão. Um novo Montesquieu, já que as três pilastras de sustentação do Estado Democrático de Direito não estão funcionando no Brasil. As últimas decisões do STF contrariam completamente a opinião dos mais respeitados juristas do país.
Nosso Legislativo padece da mais absoluta degradação, o STF, órgão máximo do poder Judiciário, funciona com se a sociedade civil não existisse. Lembro que nos EUA há mais de um século ocorreu o impeachment de um juiz da Suprema Corte, aqui é sacrilégio falar no assunto. É como se dissessem: o céu não permite que se destitua um juiz (do STF) ungido, ele está acima de todos os homens. Parece a Idade das Trevas! Ora, a Inglaterra cortou a cabeça de Charles I em 1649 porque ele se achava acima de tudo e de todos. Essa história tem quase quatro séculos, e Charles I era um Rei!
No entanto, aqui no Brasil, em 2009, temos um Gilmar I no Judiciário. Claro, a Corte Suprema é para julgar todos os homens! E seus juízes também são homens! Mas, quem os julgará? E agora que um deles, ocupando a presidência, um cargo rotatório, se comporta como o dono das leis, a quem apelaremos?
Apelo para Shakespeare: “Quando um juiz não faz justiça, é legal impedir que seja injusto”!
Postado por Theófilo Silva, Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília, Colaborador da Rádio do Moreno e do Blog do JALS

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sobre Livros e Leitura

Infelizmente, não sabemos se Shakespeare foi um homem que viajou muito. Mas a Itália, com certeza, é um país que ele deve ter conhecido, tantas são as peças cujas narrativas ocorrem lá. Essa paixão se deve ao esplendor artístico das cidades italianas durante o período do Renascimento. Em verdade, a Itália sempre fascinou escritores e músicos, os artistas em geral, de Goethe a Freud (o escritor), de Mozart a Beethoven. Shakespeare viveu o fim do Renascimento, movimento que durou em torno de três séculos. O mundo dos humanistas, homens de vastíssima cultura.
O Renascimento europeu inicia-se no fim do século XIII e vai até as portas do século XVII. A Itália foi o berço e o principal recanto de prosperidade desse ressurgir cultural que mudou a história do ocidente e do mundo inteiro. Lembro o Renascimento – o retorno ao ideal greco-romano – para tocar num assunto que muito me incomoda. É de o quanto a especialização está matando o humanismo que o Renascimento nos legou. Falar de humanismo é até mesmo um exagero, digamos que um pouco de informação sobre o passado e sobre o mundo que nos cerca.
Ler um bom livro, hoje, é uma tarefa hercúlea para médicos, advogados, engenheiros, professores, juízes etc. Todo pequeno ou grande profissional só conhece a matéria em que trabalha. Mesmo aqueles que pertencem à área de ciências humanas – Direito, Sociologia, História, Comunicação, Economia, que precisam escrever todos os dias - não conseguem opinar sobre nada que não pertença ao seu universo de estudo. Encontrar alguém com uma cultura diversificada é como encontrar um diamante na calçada!
Os livros mais lidos são pouco mais que caça-níqueis, não passam de temas repetidos à exaustão. Mesmo assim, são apresentados como grandes novidades. As editoras precisam faturar, lucrar. Daí “empurram” livros que dão calafrios no leitor mais exigente. Esses livros ou ‘mercadorias’ não ajudam ninguém a pensar.
Algumas vezes fico calado em rodas de conversa – algo torturante para mim, pois adoro conversar – tal é a quantidade de bobagens ditas por pessoas de formação educacional muito pra lá de “nível superior” em suas opiniões sobre questões mais sábias. A conversa chega, às vezes, a ser tão despropositada que você passa por idiota, pelo simples fato de o mundo dessas pessoas girar em torno de suas profissões, do que veem na Internet, ou do que dizem os jornais do dia. Suas opiniões são centradas em um único conteúdo. Não há uma visão do todo. Sei que estou sendo muito duro. Mas, não estou pedindo a ninguém para citar clássicos em mesa de bar.
O que nos estarrece é ver bobagens esotéricas, auto-ajuda e pequenos dramas de natureza pessoal tratados como Literatura. Como é que pessoas pós-graduadas em universidades leem essas coisas? Mário Vargas Llosa, numa recente entrevista no Brasil, chamou essas pessoas muito “educadas”, bem empregadas e alheias ao mundo – que só conhecem o seu métier – de: “analfabetos funcionais”. Gostaria de dizer que essa declaração é um exagero, mas, infelizmente, não é. Como também não precisamos ser tão duros quanto a Goethe, que disse: “Quem de cinco séculos não é capaz de dar conta, não merece estar por aqui”. Leiam os Clássicos!
Theófilo Silva, Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e Colaborador da Rádio

domingo, 23 de agosto de 2009

A ética e as utopias

Muita gente já chamou o século XX, o século das utopias negativas. Fascismo, Comunismo e Nazismo não passaram de um sonho de uma sociedade ideal que acabaram em regimes totalitários, provocando dor e extermínio.
Em 1606, com 42 anos de idade, Shakespeare não precisava escrever mais nada, ele já tinha nos dado Hamlet, Rei Lear, Othelo, Macbeth e mais 26 peças teatrais. Cansado do mundo, resolveu criar um, onde sua imaginação poderia correr livre e sem peias. Escreve quatro peças, intituladas de Romances: Péricles, Conto de Inverno, Cimbelino e A Tempestade.
A que nos interessa aqui é a insólita A Tempestade, o mundo de Próspero, Duque de Milão banido do trono. Shakespeare com certeza leu A Utopia, de Thomas Morus, livro que serviu como fonte de inspiração para muitos proponentes de uma sociedade ideal. Séculos depois, Aldous Huxley escreveu sua utopia, Admirável Mundo Novo.
Esse título é uma frase de Miranda, a filha de Próspero. Bem, Próspero vive numa ilha onde controla tudo com seus poderes mágicos. Os habitantes são: ele mesmo, sua filha, o gênio alado Ariel e o bronco Caliban, servos que tudo fazem pra ele. Próspero é todo poderoso e nada foge a seu controle.
Lá todos os seus desejos são realizados. Já velho e precisando voltar pra casa, Próspero resolve trazer seus amigos e inimigos ao encontro dele. Daí, casa sua filha com um príncipe, liberta seus servos, faz as pazes com seus adversários, pune quem deve punir, enfim faz tudo que deseja fazer. Karl Marx adorava A Tempestade e tirou de lá a célebre frase: “tudo que é sólido se desmancha no ar”.
Cito A Tempestade por ser uma peça que trata de um reino utópico. Utopia é uma palavra bela e perigosa que está voltando à moda. Está surgindo como reação à brutal crise moral e ética por que passa o país nesse momento. Que não há justiça no Brasil, já sabemos! Ela alcança apenas os cidadãos desprovidos de poder político e econômico.
Uma perversa elite de menos de 0,1% da sociedade vive acima da lei, sem sofrer qualquer tipo de punição. A única pena é a conta do advogado. Portanto, dessa instituição, poder judiciário, não podemos esperar nada.
O nível de desmoralização que chegou o Senado do Brasil não tem paralelo em nenhum outro lugar do mundo civilizado. E pior, com a contribuição de Lula, o Presidente da República que, em nome da governabilidade não diz uma palavra de reprovação a essa gente, pelo contrário, as apóia.
O comportamento de alguém que se dizia portador de uma utopia está mergulhando o país num mar de imoralidade e frouxidão ética. Eis o perigo das chamadas utopias e seus utopistas, em sua maioria, puristas ou demagogos. Precisamos ter os pés no chão. Noções etéreas levam ao desconhecido.
Lembremo-nos da transformação das utopias em formas de governo a partir da segunda década do século XX e o horror que se seguiu dali. A reação à imoralidade deve apresentar outro estofo, não esse! Utopias, apenas em nossa imaginação, na arte ou na vida privada. Quem pretende implantar utopias que vá para a ilha de Próspero, saia do mundo, crie uma só pra si!
Postado por Theófilo Silva, Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador da Rádio do Moreno.

sábado, 15 de agosto de 2009

Marina e o Rei Lear

A cena final de maior impacto do teatro mundial é a do velho Rei Lear entrando no palco com Cordélia morta nos braços. Samuel Johnson, o maior ensaísta em língua inglesa, não perdoava Shakespeare por essa morte. Shakespeare matava seus personagens para que eles vivessem eternamente na mente de todos nós!
Em artigo na Folha intitulado Complexo de Lear, a senadora e ex-ministra do meio ambiente Marina Silva comparou-se a Cordélia, personagem da peça Rei Lear, a tragédia mais complexa de Shakespeare. O enredo parece simples. Não é.
Já octogenário, o Rei Lear, da Bretanha, pretendendo descansar, resolve dividir o reino entre as três filhas, em partes iguais. Na hora de fazê-lo, e na presença de todos, pede a cada uma que lhe faça uma declaração de amor. As mais velhas, Goneril e Rejane, se derramam em elogios ao velho rei.
Enquanto isso, Cordélia a mais jovem, mantém-se calada repetindo pra si mesma: “Ah! Que fará Cordélia? Amar e calar”. E é isso que ela faz mesmo! Nada consegue dizer! O velho Lear, irritado com a negativa, diz para ela que: “do nada não vem nada”! Pede a ela que corrija suas palavras! Cordélia se recusa e nada faz.
Pronto, a tragédia se desenha! Lear deserda Cordélia e a amaldiçoa! O rei da França se impressiona com ela e a escolhe como esposa. Daí pra frente Lear sofre o desprezo e o abandono de Goneril e Rejane e enlouquece. Sabendo do sofrimento do pai, Cordélia volta da França, faz as pazes com ele e o acolhe.
Mas aí as brigas pelo poder já estão instaladas, começa uma guerra e Cordélia é presa e assassinada a mando do amante de suas irmãs! Lear, que deveria ser morto junto com ela, mata a golpes de espada o assassino de Cordélia e morre desesperado de dor agarrado ao corpo inerte da filha. Essa é a história.
Marina Silva se declara rejeitada por Lula, seu pai político e protetor, e o acusa de “complexo de Lear” ameaçando abandoná-lo, segundo ela diz em seu artigo, por ele “se recusar a ser o que foi um dia”. Ela deve ter suas razões pra agir assim! Sabemos que quem dá início à tragédia é Lear, mas quem a precipita é Cordélia, que poderia evitá-la com um simples toque, era só corrigir sua declaração.
Ela ama o pai! Sabe que suas irmãs são ambiciosas e perversas. Poderia ter evitado a desgraça. Mas não o fez! Por quê? Cordélia diz: “o que pretendo fazer executo antes de dizer”. Marina se sente uma filha rejeitada, só que Shakespeare nos ensina que em questões de Estado, embora a paixão prevaleça algumas vezes, o governante não pode se dobrar a ela.
Seu dever é proteger os cidadãos e procurar o melhor para eles, não havendo espaço em seu coração para escolhas que não sejam a seus olhos o melhor para seu povo. Falta a Marina essa compreensão. Lula pode até amá-la, mas não pode subordinar questões de Estado a esse amor!
Quando Cordélia se recusou a declarar seu amor pelo pai, o contrário do que faz Marina, ela ajudou a destruir a ordem do reino. Marina pode se queixar de rejeição, mas sua declaração de amor é confusa.
E é o futuro marido de Cordélia, o rei da França, que afirma: “Amor não é amor quando a ele se misturam preocupações estranhas ao seu puro objetivo”. É isso que nos parece!
Postado por Theófilo Silva, presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador da Rádio do Moreno.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O Retorno de Macbeth

É Lady Macbeth, que fala para o marido: “teu rosto meu barão, é um livro em que os homens podem ler estranhas coisas...”. O marido é Macbeth, personagem de Shakespeare, um barão medieval que três bruxas prognosticam com futuro rei da Escócia! Macbeth é picado pela serpente da ambição e junto com a esposa mata o gentil rei Duncan, toma posse do trono e torna-se um tirano destruindo a paz de seu reino e de seus súditos. As Bruxas já tinham predito que ele, “viverá como um maldito” já que vendeu sua alma para elas. Macbeth não está satisfeito já que as bruxas disseram que ele não geraria herdeiros, daí sai destruindo tudo ao seu redor.
Torna-se um perverso, um sujeito que: “as múltiplas vilanias da natureza enxameam nele”. Um de seus primeiros alvos é Banquo, que as bruxas apontaram como futuro pai de reis. Macbeth manda assassinar Banquo, mas seu filho, Fleance consegue escapar. A fuga de Fleance não permite que Macbeth descanse.Um dos assassinos já tinha dito: “sou um homem, meu suserano, a quem os golpes vis e os maus tratos do mundo exasperaram tanto que estou disposto a tudo para ofendê-lo”. Na realidade o assassino está retratando o espírito do tirano. Seus desatinos continuam, e os filhos de Duncam começam a juntar forças para tirá-lo do trono. Para piorar, sua esposa enlouquece e comete suicídio. Com o controle da situação fugindo dele, pronuncia frases que nos inspiram pavor: “De tal modo estou mergulhado no sangue”. ”Saciai-me de horrores! A desolação, familiar a meus pensamentos de morte, já não produz em mim qualquer emoção...”.
Uma batalha se aproxima, os nobres partem para expulsá-lo do trono. Durante a luta, ele achando-se invencível por estar protegido por bruxarias, encara o velho guerreiro Siward, que ao ouvir o nome Macbeth, proclama: “nem o próprio demônio poderia pronunciar um nome mais odioso aos meus ouvidos”. Mas, Macbeth se declara um “homem ousado que tem coragem para olhar na cara o que poderia fazer para empalidecer o demônio”. A líder das bruxas vendo que seu império do mal está desmoronando, prognostica mais uma vez: “ele desprezará o destino, desafiará a morte e terá esperanças acima da sabedoria, da piedade e do temor”. É uma tragédia de horrores, essa de Shakespeare: bruxaria, assassinato, suicídio, tirania, demônio e etc. É muita imaginação do Bardo inglês. Isso existe na vida real? Eu pergunto a todos vocês, vistes os olhos de Collor de Mello – sentado em sua poltrona no senado - quando agredia o senador Pedro Simon? O sujeito bufava, não piscava os olhos, parecia drogado ou mesmo tomado por um espírito maligno. Algum tipo de droga o dominava. Comportava-se como um alucinado que perdeu sua alma. Igual a Macbeth quando retorna da caverna das três harpias.
Lembremo-nos de seu governo e de toda a tragédia que aconteceu depois! Incluindo mesmo magia negra. Pedro Simon confessou-se apavorado com aquele olhar. Um olhar que o Brasil conheceu e que tantos e abomináveis sofrimentos lhe trouxe. Um consolo nos resta. Quando Macbeth matou Duncan, uma voz do além disse para ele: “Nunca mais dormirás! Macbeth assassinou o sono”. A cara de Collor de Mello é de quem nunca mais dormiu! Collor assassinou o sono! Isso nos conforta!
Postado por Theófilo Silva, presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador da Rádio do Moreno.